Mostrando postagens com marcador crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

SOS... Ano Novo






 Por Gilnei Fróes

Faltam, minutos para 2010. E hoje não é ano novo judaico, nem tampouco o Ano Novo Chinês. O que podemos aprender... a cada ano que fermentamos nossas idéias e ideais?! A que tipo de filosofia e ano vou adotar e me orientar?

No Judaísmo temos a essência de “Rosh Hashaná”: reflexão é a tônica.

Já na convenção de “Ano Novo” cristão, (de mudança de cada século) tudo é celebrado com festas, brindes, bebidas, música, fogos de artifício numa comemoração sem envolver (... com profundidade!) o aspecto religioso, restrito à missas específicas.

Seja na Praia de Copacabana (RJ) em Time Square (NY) ou Jerusalém, os ritos são iguais. O Ano Novo Judaico (5770) é celebrado ( em Setembro) com jejum, canções religiosas e orações com e reflexão sobre o passado, para correção de seus erros perante Deus, e projeção de futuro, pedir pela saúde de familiares e amigos.

Já na China, o calendário é um documento sagrado. Seu conhecimento representa Poder. Faz parte de observações astronômicas, eclipses, tsunamis e as predições. Na sua aplicação prática, confirma a harmonia entre os céus e a corte imperial e o equilíbrio das pessoas com a Natureza.

Segundo mil lendas chinesas, “Buda” convidou todos os animais da criação para uma festa de Ano Novo, prometendo uma surpresa a cada um dos presentes. Todavia, apenas doze animais compareceram. Assim, foram presenteados com o nome de cada Ano Novo, de acordo com a ordem de chegada: o Rato; o Boi; o Tigre; o Gato (Coelho, na Tailândia ); o Dragão; a Cobra (ou Serpente); o Cavalo; a Cabra (ou Carneiro); o Macaco; o Galo; o Cão; o Porco (ou Javali). E a entrada de cada Ano Novo Chinês ocorre – em geral - no mês de fevereiro e tem uma profundidade filosófica, psicológica muito semelhante ao perfil do animal dominante.

O Calendário Maia é outra prova da importância cabalística de uma data.

Todavia, o “réveillon” cristão tem sido um grande porre! Uma grande bebedeira global por luzes artificiais, foguetes, de forma que, na hora do sol nascer estão todos apagados, de ressaca, bêbados, inconscientes, com dor de cabeça e cheios de dívidas... para o ano novo que chega! ...num consumismo crescente!

Reflexão! Esse ritmo acelerado da inconsciência se repete ao longo dos 12 meses, portanto a questão não é se mudamos ou não de calendário. Que importância tem a mudança de calendário? A razão da necessidade de mudar o calendário é a ativação consciente do corpo de luz planetário, a ascensão do Planeta Terra.

Como a (in)civilização humana continua a destruir a relação de equilíbrio, (criativa, harmônica e inteligente) com o Planeta Terra e entre seus seres, no que se refere à utilização dos recursos (naturais, tecnológicos, econômicos e energéticos), o eminente caos eco-apocalíptico está numa contagem regressiva.

De nada adianta se falar em salto quântico e suas conseqüências no modo de vida da consciência cósmica. Essa consciência é resultante dos ciclos evolutivos descritos no tempo. E os Maias ( foram os únicos!) preconizaram o tempo não tempo! Por isso, o tempo enquanto freqüência organiza as geometrias do espaço e a atividade auto-reflexiva da mente.

Hoje, - nós – meros personagens ou atores no centro do tempo, concentrados no “aqui e agora”, atentos ao que criamos, escrevemos, pensamos!... achamos que vivemos! Mas não sabemos conviver em sociedade e muito menos em família. Ainda precisamos descobrir e recriar o mecanismo que estabelece contato com essa onda de energia que atravessa as dimensões, proveniente do núcleo da Criação Cósmica.

A meditação é um meio. Os mantras e oração são caminhos! A reflexão, a certeza! As atitudes são a "via-crucis".

Os “Maias” ensinaram a maneira de saber seu funcionamento! É preciso aprender a calcular e acessar nosso estado “kin”. E, para isso, é preciso entrar no "ritmo 13:20", onde os Maias ensinaram a simplificar nossas vidas. Adotar a filosofia do desapego (...sem cartões de crédito, ou às crenças fanáticas e às tradições), numa visão holística de eterna mudança. Mas,... o que será que os outros vão dizer?

Busque e experimente essa dádiva. Temos um Ano Novo pela frente! Será para estudar, pesquisar e acessar o conhecimento cósmico.

Ano Novo; novas mudanças. Novo Calendário; novo número, nova Cabala: 2010

Ademais, o próprio “I Ching” recomenda que “... a persistência correta traz recompensas”. Mas se não for para esta vida, o Ano Novo nos prepara o espírito para a Nova Vida... que no calendário do universo... representa minutos e, que a cada ciclo de 365 dias, reprisam desafios meio ambientais para todos os povos à cada Ano Novo... infelizmente!

O "poder da ignorancia", convicto aliado da "ignorância do Poder", desconhece como soberana alquimia da vida - gradativamente - se defaz! ... ano à ano. E assim... prosseguimos navegando no infinito Cosmos, rumo à superpopulação, fome, degradação ambiental, epidemias, poluição, falta d'água e mais guerras. Mesmo assim, Feliz Ano Novo!




segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

E o espaço público, hem!



Foto de Nauro Junior

Fico pensando no coitadinho do Planeta, tão vilipendiado pelas grandes potências, que, para enriquecerem, jogam à natureza gases, resíduos tóxicos e outras tantas agressões, às quais, se houvesse um pouquinho só de bom senso, não estariam ocorrendo.

Deixando a escala mundial de agressões, e detendo-me em nossa vida doméstica, onde também ocorrem violências contra a natureza, não fico menos surpreendido com a forma relaxada com que tratamos o meio-ambiente. Ai eu me pergunto: como salvar o Planeta se não temos competência sequer para cuidar do espaço público?

Refiro-me à forma como o centro de Pelotas foi tratado nos dias que antecederam à festa natalina. Todas as manhãs, quem passasse pelo calçadão da Andrade Neves – e adjacência, tinha certeza de estar enfiado até o pescoço numa lixeira. Toneladas de lixo, na verdade, exposto céu aberto. Havia pessoas fazendo a varredura, mas os relaxados, em maior número, tornavam a sujar, disparando em direção às compras.

Por que as pessoas não jogam lixo nas lixeiras? É simples, prosaico. À nossa frente, a poucos metros, a lixeira escancara-se. E o que fazemos? Jogamos o que tiver de jogar no chão, sem nenhuma preocupação com o espaço público. Dane-se! Afinal, é zona de ninguém!

Estamos redondamente enganados. Por ser espaço público e pertencer a todos nós, precisamos respeitá-lo! Aliás, urge maior respeito! Podemos sujar nossas casas, exercitando como quisermos  nossa negligência. No público, não. Nele não deveríamos sequer jogar uma guimba no chão.

Confesso que, às vezes, o desejo de lutar pela preservação da natureza esmorece dentro de mim, murchando como flor não regada. Também pudera! Não conseguimos cuidar nem dos logradouros públicos, como imaginar, em escala maior, possível salvar o Planeta da sanha assassina dos poderosos?

O dia em que hesitarmos diante de cuspir ou não cuspir no chão, talvez nosso espírito salvacionista venha à tona, transformando-se num tornado, força tsunâmica capaz de alterar o destino da Terra.

Sonhemos, amigos, sonhemos.

Manoel Soares Magalhães

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

SOS... Papai Noel




Sempre acreditei em Papai Noel! Meias coloridas, longas (...para caber mais presentes!) deixava colocadas, à noite, nas janelas envidraçadas da Fazenda da Vó Mimosa, em Santo Amor, Morro Redondo quando ainda era da Comarca de Pelotas! Essa era nossa a magia da noite anterior de Natal. Hoje, Morro Redondo é Município autônomo, progressista de etnia germânica e italiana.
Naquela época – anos 50 – acreditava viagem de Papai Noel e na força de suas renas, no trenó colorido com lampiões, fazendo muitas viagens daquela imensa fábrica de brinquedos, na terra do “Sol da Meia Noite”, do mar de fartura de bacalhau e aquela esplendorosa Aurora Boreal, lá da Lapônia.
Quando criança – sem mapas nem internet - ficava imaginando o globo terrestre flutuando no espaço! E me indagava: O que era o Círculo Polar Ártico? Era perto na Suécia, da Noruega, da Rússia ou da Finlândia? E a tal de Antártica? Como poderia fazer mais frio do que o “freezer” de nossa geladeira norte americana? Como as renas voavam, sem comer nem descansar, carregadas de presentes para todo mundo? Da onde saia tantos presentes?
Mil explicações não convenciam nossa curiosidade para perceber a tal Aurora Boreal, (...que sabemos são partículas provenientes do Sol que geram o vento solar quando carregados de elétrons dos átomos de oxigênio e nitrogênio da atmosfera ) produzem efeitos multicoloridos impressionantes!
Mas...a combinação de Lua Cheia nesta Floresta de Neve em franco derretimento com pinheiros (coníferas) alces, linces, martas, renas, águias, falcões, ursos dorminhocos e inteligentes cães Ruschies, castores nos rios congelados e uivos de lobos é uma receita anti-natalina... para se esquecer o tal (Dês)”Acordo de Copenhagen”? Porque derreteram as esperanças da população global? E o futuro das crianças de hoje? Porque o gelo desaparece nas barbas e caras de todo mundo?
O que os cristãos têm a dizer sobre a “Natureza da Terra”... lá na do fim do mundo, na “Terra da Natureza” de nossos sonhos que são transformados (...pelo aquecimento global) em pesadelo apocalíptico? Que outras estórias poderemos contar aos nossos filhos e netos? Que a casa do Papai Noel na Lapônia não existe?
Não sei o que direi a minha neta Laura, (...congelada pelas relações glaciais de seus pais separados) que nem sabe que “Vovô Noel” existe! Tampouco que promessa de vida da natureza íntegra posso fazer à filha Samantha com 13 anos? Ou que prometerei aos demais filhos adultos? (Francis, Tais, Cristian, Alexander) ... nesse mar de consumismo!
Prometi só dar um abraço e beijos nos familiares e amigos! Pois os bonitos embrulhos e enfeites de Natal geram milhões de toneladas de lixo em todos os países! Por tudo que fiz, escrevi pela Educação Ambiental – e conscientização coletiva – acredito que o mendigo Papai Noel, representa o “estado de espírito” do desgaste dos ambientalistas versus o “espírito do Estado” super-nutrido por impostos, taxas e descasos (...com nossos apelos e razões científicas!), congelando uma irracionalidade do poder versus sociedade.
Na adianta mais mandar uma cartinhazinha... dizendo que roubaram até as esperanças de futuro das crianças! ...e que, para fugir do aquecimento global, nem posso pedir uma viagem de “ida” para o Pólo Norte, pois nessa incerteza ambiental natalina, até Papai Noel colocou as barbas de molho!
Como evitar o desperdício de água, energia e extermínio de todos os recursos naturais, pensando na sustentabilidade das gerações futuras do Planeta Terra? Como explicar para Papai Noel que só queremos a Amazônia íntegra com sua riqueza de biodiversidade? ... com seus esquecidos povos da floresta e seres
Porque a população não tem incentivos políticos para não utilizar água potável (pura e tratada) em vasos sanitários? Porque – depois – tudo é lançado (...irresponsavelmente!) nos rios, lagoas e oceanos? Porque uma casa que aproveita a água da chuva (para lavar carros, jardins e pisos!) e tenha energia solar, não pode ser isentada das exorbitantes taxas (IPTU) de impostos urbanos?
Os “Papais Noéis” ambientalistas continuarão órfãos das eco políticas publicas? Como pensar em Natal Iluminado, em meio à possibilidades de colapso energético e apagões? As superpotências continuarão com “brinquedos de guerras”?... Ou, entre a geopolítica da Lapônia finlandesa, suéca e da Groelândia (...território autônomo pertencente a Dinamarca) governantes, como donos do Poder, deixarão todas as populações reféns ( do aquecimento e esquecimento globasl) com ameaças de “guerras de brinquedo”? ... pela disputa – entre si – pela residência oficial do bom velhinho?
Nesta (DEScongelada) terra de fadas, duendes, mil sagas e estórias rendem (...livros, filmes! Presentes) num puro comércio! ...esquecendo que o “espírito de Natal” está sendo catado pelo último Papai Noel que defende o “Natal do espírito” numa reciclagem da mente em defesa das energias da Natureza.
Como desejar Boas Festas, num prenúncio de desacordo de Copenhagen & vésperas de uma ecoapocalipse global?

Gilnei Fróes

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O feijão com arroz




A preocupação com o meio ambiente começa dentro de nossa casa, o espaço privado, mediante consciente seleção do lixo, separando o orgânico do não orgânico. Uma vez bem organizados em sacos separados, estão prontos para serem recolhidos pela empresa responsável pela coleta de lixo.

Conheço gente que acompanha através dos noticiários os acontecimentos da Cúpula do Meio ambiente, que acontece em Copenhage, Dinamarca, preocupados com o destino do planeta, mas, dentro da própria casa, comete erros infantis quanto a forma de organizar seu próprio lixo.

Os resíduos que saem de nossas casas, mal-arranjados, sem a devida seleção, acaba sendo manuseado pelos moradores de rua, famintos, os quais deixam o que não querem esparramados pelas calçadas, ruas, transformando a cidade numa imensa lixeira.

Quando chove – e tem chovido muito ultimamente – as águas levam o lixo em direção às bocas de lobo, entupindo-as.

A enxurrada acaba levando toneladas de lixo em direção aos riachos, arroios e rios, trazendo danos às espécies que neles habitam.

Portanto, a salvação do Planeta começa, sim, dentro de nossa casa, e isso precisa ficar bem consciente. É muito bonito fazer discursos salvacionistas, gritar palavras de ordem contra os EUA e os demais países ricos e industrializados, nações que terão de pagar a conta pela diminuição da emissão de gases nocivos à atmosfera, se no espaço privado o feijão com arroz não é feito.

A natureza agradece por essa atitude inteligente.

Manoel Soares Magalhães

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Cafezinho com os parentes do norte





A intenção era criar um monstro, de muita carne (defumada) e osso. Ele nasceu e passeou livre, altivo, por todos os cantos, trazendo seu calorzinho leve enquanto estava de bom humor. Só que um dia, cansado da hegemonia estilo zen que vinha desempenhando, ele baixou a sobrancelha, deu um espirro e saiu rebolando.
O tal do espirro respingou em numa turma dos Estados Unidos. Mas quando a CNN divulgou, disseram que a culpa era isolada, duma Dona Katrina meio revoltada. Abalado, o monstro foi conhecer o sul da Ásia. Quando notaram a quimera rebolando forte nas praias da Indonésia, trataram de disfarçar dizendo que, não, a culpa era novamente isolada... dum japa meio louco, procurado internacionalmente, que atende pelo nome de Tsunami.
Pois é. Acabou que ninguém mais conseguiu esconder as confusões do pimpolho e tiveram de chamaram os pais da criança-monstro para uma reunião em Copenhage. Alguns dos intimados a comparecer foram para lá contrariados. Diziam que o filho não era deles! No máximo, seriam parentes distantes, sabe-se lá.
Felizmente para alguns, o tio Obama levou até um teste de DNA para comprovar a descendência remota do assombroso. Cruzaram as informações para provar que o pai do pai do pai do pai dele era esquimó, ou seja, um camarada que vive no meio do nada em sem tecnologia nenhuma. Com isso, queriam dizer que, pobre coitado, ele é natural mesmo. Estava aí há muito tempo, só que atualmente em má fase, sendo a idéia mais acertada apenas dar um tapinha nas costas do calorento mandá-lo relaxar nas montanhas.
Na entrada da sede do ajuntamento da parentada, na fria Copenhage, um incendiário que chegou lá remando, direto de Tuvalu*, estava pronto para lançar na turma de gravata o seu ardente molotov. Mas os caras do Greenpeace seguraram-no, dizendo que fumaça da sua garrafa flamejante poderia fazer sua ilha de origem afundar. No meio do agarra-agarra, parecia que alguma coisa estava queimando... e não era o coquetel do Tuvaluano.
Ninguém acreditou quando se viu entrar na sala de reuniões, ele, o próprio Chamuscado, o Labareda, Calorento, Inflamado, enfim... o cara tem muitos nomes para os íntimos. O Pirado acenou para a multidão enfurecida e foi se sentar ao lado do tio Obama. Chamaram o monstro para falar em Copenhage! Devia ser para garantir o contraditório, a ampla defesa do acusado, ou coisa do tipo. Decepção.
Ao redor da mesa, após muita explanação, ficou decidido que ele era mesmo filho do esquimó, e que, portanto, era natural. Apenas acertaram que um dos presentes ia aparecer em público, com transmissão ao vivo pela CNN, para explicar que ninguém tinha culpa de nada... Todos aplaudiram a resolução. Até o Combustado se emocionou, dizendo que era uma alegria saber que tinha parentes naturais.
Enquanto os reunidos confraternizavam, titio Obama suava frio num canto, confidenciando ao estadista alemão que, na verdade, falsificara os exames de DNA. O garotão não era filho de esquimó coisa nenhuma, mas sim fruto de um projeto desenvolvido há muito tempo pela humanidade. Projeto que ele, Obama, assumira o compromisso de levar adiante quando carimbou a carteirinha de candidato às eleições presidenciais estadunidenses.
De mansinho, aproveitando que tinham ligado o ar condicionado para abrandar a temperatura da sala, o Labareda, que estava a cada instante sendo menos “sentido” pelos engravatados, resolveu abandonar a assembléia pela porta dos fundos. Visivelmente emocionado, pôs-se a correr para encontrar algum parente esquimó para dar um abraço quente. Que dia feliz! Na porta da frente, o Tuvaluano passou a mão na canoa e decidiu voltar para casa, certo de que não seria desta vez que seria ouvido. Remou, remou, remou...
Tuvalu havia afundado de vez. Sinal de que o Fogaréu já tinha tomado café com os parentes lá no pólo norte.

*Tuvalu, um dos menores estados independentes do planeta, tem uma popularção de cerca de 12 mil pessoas. Com o território completamente ao nível do mar, deverá desaparecer em breve, entrando para a história como o primeiro país cuja população será inteiramente vitimada pelo aquecimento global.

Anderson Reichow, 23 anos, estudante de direito, vegano e servidor do judiciário. andersonreichow@gmail.com - Especial para o Blog

SOS... from Kyoto to Copenhagen





Paralela...”mente” à Copenhagen, - ontem (10/12/2009) - terminou a “Conferência de Bangkok – que é mais um dos encontros preparatórios para a COP15, da futura conferência da “ONU” (Organização Nações Unidas). Já preparam novas desculpas para a mídia, proteladas em definições do que acontecerá depois de 2012, quando encerra o prazo de validade dos fracassados compromissos (pactuados e não realizados) para efetiva redução dos gases de efeito estufa firmados por meio do falecido “Protocolo de Kyoto.”
A “natureza do jogo” dos países ricos é de pressionar os países pobres colocando na mesa de apostas “o “jogo da natureza”. Há muita coisa em jogo: florestas, rios, oceanos e seus seres, além de bilhões de pessoas que não entram neste “cassino” de altas apostas nas chaminés, poços de petróleo, metais nobres, indústrias de alta tecnologia e poluidoras, além das madeireiras e mineradoras.
É óbvio que todos os países que tem metas de redução dos índices de poluição, ( mas que também são grande poluidores) como o grupo do “BRIC” (Brasil, Rússia Índia e China) serão pressionados a ter visibilidade de metas. Na guerra de argumentações, os Estados Unidos tem um coringa - “um ás de ouro” – com o recente Premio Nobel da Paz, Barack Obama, que desvia atenções da mídia.
Os pobres países argumentam cheios de razão que (quem tem tradição em poluição e já ficou rico poluindo o Planeta Terra) deve ter idênticas metas ou usar mais tecnológicas, bem como ajudar as nações (pobres) em desenvolvimento a alcançar suas metas pelo aporte de recursos financeiros e imediata transferência de tecnologias
Já existem estruturados novos mecanismos financeiros, (...como o pagamento para se manter a floresta em pé – REDD - ) que têm força exponencial para redesenhar economias. Porém, todas estas reuniões preparatórias são um “jogo de paciência”, pois todos representantes de governos têm diárias dolarizadas, com desculpas ensaiadas para a mídia, com alegações diplomáticas de que tudo vai dar certo. Mentira? Ou verdades?!
Todos empurraram a poluição para debaixo do tapete, debaixo dos solos, dentro dos rios e oceanos e biosfera. Daí, para nosso insensível nariz, olhos e garganta... até chegar ao sangue e ser transmutado no câncer nosso de cada dia... por embotamento cerebral da sociedade, é uma vida à menos. Puxa! Como custa pensar? Você acredita que eles estão preocupados com a saúde humana e ambiental? Ou com a economia deles? Quem falar em consenso, também mente! Os pobres não têm dinheiro nem “lobbies” e assim, jogam as cartas na mesa... são parceiros blefados!
Assim, o jogo de argumentos jamais supera os argumentos da poluição. O controle das emissões dos gases do efeito estufa serão maiores amanhã mesmo. Quantos veículos (carros, motos, caminhões, tratores) serão liberados – hoje - para o transito no país?
Enfim! Quanto custa reunir todos estes conversadores ambientais internacionais? Haja mordomias! Suítes, tapetes vermelhos, guarda-costas e nada de proveitoso para a Mãe-Natureza. Ela só recebe resíduos, poeiras, radiações, lixos... num autentico monumento ao nada! Como podemos falar em “homo sapiens”? ... se os interesses individuais de meia dúzia se sobrepõe aos interesses coletivos de bilhões de habitantes planetários?
Todos os planos econômicos têm previsão de metas de 10-15 anos. Todas as desgraceiras ecológicas estão na contagem regressiva e deviam ter sido prevenidas à mais de 20 ou 30 anos! Que futuro (ir)racional e (anti)ambiental se esconde em Copenhagen? Parece que temos um holocausto global em franca premeditação? ... Ou sou meio paranóide?! Que lições se pode tirar de erros tão caros à sociedade global? E as razões técnico-científicas dos desequilíbrios (ou desarmonia) ecológicas ficarão sempre consideradas em segundo plano? Debaixo da vontade do poder que se julga eco eficiente? E que jamais abrem mão dos impostos, (ou taxas) que fazem seus cofres renderem lucros exorbitantes! Que não apostam - “vinténs” - nos projetos e idéias de valores da sociedade (...de ONGs com pesquisas em C&TI ambientais) para trazer eco soluções práticas e perfeitas ao Planeta Terra?!
Afinal: O fracassado “Protocolo de Kyoto” será substituído pela inútil “Convenção de Copenhagen”? Que depois será substituída pelo Tratado de Bangkok? Em seguida, terá nova Conferencia de Genebra?... e tudo continuará na mesma?
A “ONU” precisa se impor! Precisa se valer da sua posição e, – num consenso global – determinar que o planeta Terra não suporta mais encenações teatrais de soluções de faz de conta? Não perceberam que estamos num ecocídio global irreversível? E que não adianta analfabetos ecológicos tupiniquins (prefeitos daqui e de acolá) irem passear e fazer turismo, às nossas custas? Cadê os projetos científicos tecnológicos ambientais? Quando os autênticos cientistas e pesquisadores terão voz & vez?
Enquanto isso,... a ampulheta do tempo prossegue! ...devorando "Agenda 21; Carta da Terra, Objetivos do Milênio, Proclamações disso e daquilo" que a maioria da população ( ... e governantes!) desconhecem! ...nem sabe o que significam!


Dr. Gilnei Fróes

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Protesto sistêmico



Rua Gomes Carneiro. Ao fundo o muro que separa a zona da Balsa do Campus Porto, da Universidade Federal de Pelotas.


Os moradores da Rua Pedro Osório de Brito, na Balsa, reuniram-se em protesto em novembro, dia 27, contra a construção de um muro separando as ruas Gomes Carneiro e Pedro Osório de Brito, próximo ao Campus Porto, da Universidade Federal de Pelotas. Gritando “a rua é nossa”, as pessoas chamaram atenção do Poder Público de Pelotas, através do secretário de Urbanismo, Luciano Oleiro, que embargou a obra por considerá-la irregular.



De acordo com os moradores, a responsabilidade da obra, feita em terreno particular, é da UFPel, que deseja esconder dos estudantes, professores e pessoas que visitam a universidade as moradias simples da zona da Balsa. A universidade, através de Luciane Kantorski, coordenadora do Projeto Vizinhança da UFPel, defende-se, alegando que o educandário não tem gerência sobre a obra.



A construção do muro, apelidado pelos moradores como “o novo Muro de Berlim”, foi interropida, esperando decisão judicial. A mobilização popular, portanto, frustrou o intento de construir-se obra absolutamente infame, com o fito de separar as moradias humildes que se estendem ao longo da Rua Pedro Osório de Brito do Campus Porto.



O movimento deflagrado pelos moradores da Balsa prova, incontestavelmente que, quando queremos, através de forte união, interferimos nos desmandos, nas arbitrariedades, obstaculizando o processo danoso. Se fizéssemos o mesmo em defesa da natureza, certamente o Planeta estaria respirando melhor.



O processo de conscientização poderia começar no quintal de nossa casa, numa efetiva e consciente reciclagem do lixo, armazenando-o de forma que ele não fique exposto em via pública, trazendo prejuízos à natureza e à saúde da própria população.



Se cada um cuidasse de sua parte, a vida fluiria com mais facilidade. É preciso que saibamos, de uma vez por todas, que vivemos num mundo holístico, integrado. Uma “máquina” que, para funcionar bem, precisa estar perfeitamente "azeitada".  A era do mecanicismo cedeu lugar à era ecológica.



Os conceitos propagados pelos biólogos organísmicos, na primeira metade do século XX, deram conta do pensamento sistêmico, cuja ênfase é a conexidade. Assim, de acordo com tal visão, “as propriedades essenciais de um organismo, ou sistema vivo, são propriedades de um todo, que nenhuma das partes possui. Elas surgem das interações e das relações entre as partes”.*



Os moradores da Balsa, ao protestarem contra “O Muro de Berlim”, deram exemplo de que, compreendido o processo de que cada grito dado tinha relação com o todo, as coisas poderiam mudar, como mudaram.



Magnífica ação provando que nem tudo está perdido. Nossa vontade de mudar para melhor, no dia-a-dia, não é vã à medida que se una a outras vontades, as quais, juntas como instrumentos de uma orquestra, farão soar a mais bela e vivificante música, que reproduz, em diferentes acordes, a música que embala o universo.


Visão da UFEPel da Rua Pedro Osório de Brito

Manoel Soares Magalhães

*Capra, Fritjof, A Teia da Vida, Cultrix, 2000.





quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ciclovias em Pelotas... Um sonho distante




Poder público e população podem fazer o sonho virar realidade em Pelotas



Pois é... Pelotas, de ruas e avenidas planas, poderia ser uma cidade modelo no que se refere à ciclovia e ciclofaixas, transformando a urbe em espaço exemplar, mais humano, com menos carros circulando, tornando o ar mais respirável, e, por via de conseqüência, fazendo do pelotense um cidadão menos sedentário.


Mas, parece-me não ser está a meta dos pelotenses em geral, que não se mobilizam para tornar isso realidade. Talvez não seja a intenção, mas acaba se transformando num velado conluio com o Poder Público local, o qual também não demonstra querer mais do que já fez, diferentemente do que fazem outros gestores em inúmeras cidades do mundo, os quais têm preocupação em transformar as cidades em espaços cujo trânsito é tranqüilo, harmonizando-se com os ciclistas, pedestres de todas as idades, bem como oferecendo às pessoas portadoras de necessidades especiais condições de andarem pelas ruas, calçadas, de forma mais segura.


Todos nós sabemos que as cidades médias e grandes - como Pelotas, por exemplo - estão à merce de um trânsito caótico, disputando espaço nas ruas, avenidas, estacionamentos e etc. As ciclovias e as ciclofaixas são, naturalmente, saídas inteligentes para minimizar esse caos urbano.


O Brasil, hoje, conta com mais de 2.517 quilômetros de ciclovias construídos em 280 cidades, quadruplicando a extensão das pistas exclusivas para ciclistas, de acordo com o Ministério das Cidades.


A construção de ciclovias, entretanto, é de responsabilidade dos estados e municípios. Apesar disso, o governo federal tem um programa de incentivo a essas vias, apoiando centenas de projetos de construção de ciclovias.


O governo federal estimula, apóia e orienta, passando informações e fazendo estimativas de custos para que estados e municípios implementem as ações.


A bicicleta deveria ser incorporada ao sistema de transporte do país, como acontece em várias cidades européias. Os motoristas de outros tipos de veículo, entretanto, como carros, caminhões e ônibus, precisam ter consciência de que não têm exclusividade nas vias. A bicicleta é um veículo como outro qualquer e tem direito e usar o espaço viário existente nas cidades.


O papel do município, portanto, é sinalizar e orientar os motoristas sobre a convivência com os ciclistas, numa efetiva ação disciplinadora.


Os cinco requisitos básicos para a construção de uma ciclovia são: segurança; rapidez; coerência (ter um início e um fim), conforto e atratividade.


Manoel Soares Magalhães









quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Inconcebível matança



Os ritos de passagem tinham importância capital no desenvolvimento psíquico dos povos primitivos. Quando os jovens de ambos os sexos chegassem em determinada idade, os mais velhos da tribo, através de cerimônias de iniciação, faziam-nos entrar na vida adulta, na qual participariam efetivamente como indivíduos responsáveis, contribuindo para com o destino da tribo e, especialmente, dando sentido às próprias existências. As primeiras dessas cerimônias aconteciam dentro do seio familiar, logo após o nascimento, quando o recém-nascido era apresentado aos familiares diretos, visto como o elo de uma corrente, numa ênfase à linhagem ancestral.


Com o passar dos anos, outras cerimônias iam-se sucedendo, sendo que a mais importante às mulheres seria a primeira menstruação, enfatizando o período fértil, e para os homens a primeira caçada, com o consequente abate de um animal. Percebe-se que em ambos os ritos o derramamento de sangue era imperativo. Ao verter sangue para a preservação da comunidade, pela procriação ou pela alimentação, os jovens estariam simbolicamente misturando o seu próprio clã.


Logo as cerimônias coletivas seriam apresentadas aos jovens. Entre os índios norte-americanos, os jovens tinham seus peitos trespassados por espetos e puxados por cordas. O sangue pingava na terra como retribuição às dádivas que a tribo havia recebido. Outros ritos, portanto, tinham significados, como as cerimônias de casamento e as solenidades fúnebres.


Eu imaginava que, contemporaneamente falando, os ritos de passagem fossem outros, totalmente diferentes daqueles praticados pelos povos antigos. Salvo engano, os emblemas de hoje são, entre outros, o momento em que o menino ou a menina ganha o primeiro celular, o primeiro super computador. É de uma pobreza infinita, porém importante às crianças, as quais, antes disso, sentiam-se despossuídas, alijadas do mundo totalmente dominado pela cibernética.


Entretanto, dias atrás, mostraram-me algo que deixou meus poucos cabelos de pé, provando que, malgrado estejamos no Terceiro Milênio, coisas infinitamente piores que os ancestrais ritos de passagem ainda acontecem. O palco do barbarismo não é o chão batido de uma tribo qualquer, perdida no passado. Ocorre anualmente na Dinamarca, país do “Primeiro Mundo”. Trata-se de brutal e inconcebível rito de passagem, com abundante derramamento de sangue. Não sangue humano, mas sangue de golfinhos... Inofensivos golfinhos calderons!


Utilizando-se de ganchos pontiagudos, os jovens dinamarqueses agridem os animais até à morte, os quais, em agonia, saltam grunhidos, lembrando o choro de recém-nascidos. Brutalidade impensável para um país do terceiro mundo, encenada na velha Europa que supunhámos civilizada. Indiferentes ao sofrimento dos animais, os jovens atiram-se à tarefa prazerosamente, instigados pelos adultos, os quais aplaudem o espetáculo, orgulhosos de seus rebentos, prestes a entrarem na vida adulta.


Após a matança, tingidos de vermelho, os jovens são considerados responsáveis, entregues à sociedade que deveria ser exemplar. Não bastasse isso, são ainda saudados como heróis. Em resposta, mercê do mais insano frenesi, escancaram bocas, agitam os ganchos no ar, enlouquecidos pelo feito que julgam extraordinário. Ao redor, mortos, os golginhos são troféus. Emblemas de brutal rito que, em vez de dignificar a cultura dinamarquesa, a empobrece, transformando-a num tecido negrosado.


Por mais sofríveis que sejam, portanto, nossas intestinais cerimônias de passagens, podemos considerá-las infinitamente mais humanas, pois delas não resultam derramamento de sangue. Nem sempre o que vem de fora é melhor, mais saudável e culturalmente mais louvável.


Manoel Soares Magalhães